Se a música é magia eu só posso ser o feitiço
Spell, nascido da magia da própria música, é a assinatura de um feitiço que dura há quase uma década, onde ser MC se tornou a alavanca para a conquista de uma nova realidade, recheada de amor, skill e flow. Focando-se na parte oculta do mundo, traz-nos o reverso da moeda, desvendando e revelando informação que o tempo esconde nas suas ruínas, relatos até ao osso, com detalhes de um diagnóstico e a visão de uma radiografia.
"Os lábios da sabedoria estão privados aos ouvidos do entendimento"
A mixtape "Música de Palavra" recebeu as suas três primeiras faixas editadas, num registo difuso e misterioso, a prometer o estilo diferente de que "Magia Branca", no álbum "Beats & Rimas", foi a confirmação efectiva. Daí ao rap translúcido e nublado que tornou a brilhar nas três participações seguintes – mixtape "Luz No Escuro", mixtape "De Norte A Sul Do País" e colectânea "Sem Dados Disponíveis" – foi um truque de magia que nos deixou a todos de respiração sustida.
Spell sabe que os tempos que se avizinham exigem mentes mais conscientes do que nunca e não hesita em desempenhar o seu papel, exercendo naturalmente a função de veículo de uma força criadora que canaliza, trazendo o sol ao nosso dia e a lua à nossa noite. E o resultado chegou a cada um de nós em "Duelo Mental".
"Duelo Mental" é uma âncora na Nova Era – um sinal de força para quem já se encontrou e um farol para quem ainda está perdido. Escolhendo cuidadosamente mas sem reservas cada tema abordado,
Spell é o mc que, por mais palavras que use, deixa sempre a sensação de algo por dizer. Aparentemente abstracto por usar códigos diversos, ele transcende a poesia com versos metafísicos.
E embora não evidente por palavras, é-o sem dúvida por sonoridades do género. Embora o seu poiso físico seja Portimão, Algarve, ele fala-nos a partir de um ponto de vista intemporal, outro estado de consciência e outra perspectiva sobre a humanidade.
Dividido entre um futuro apocalíptico e a emergência de uma nova oportunidade de mudança,
Spell distribui-se entre o profético, o carismático e o intervencionista, no formato difuso mas robusto que caracteriza todo o seu percurso musical.
Para quem ainda não teve a oportunidade de ouvir, fica a mensagem...
Que comece o Duelo!
Por: Joana Nicolau para Kimahera